Mulheres indígenas realizam Cúpula Global com declaração política e defesa dos territórios na COP30
Realizada no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, a Cúpula Global de Mulheres e Jovens Indígenas realizou dois dias de debates intensos com a aprovação da Declaração Política das Mulheres Indígenas na COP30. O documento sintetiza as principais discussões do encontro e traz reivindicações centrais para influenciar a COP30 e outras arenas internacionais de decisão. A atividade integrou a programação do Espaço Chico Mendes e Fundação Banco do Brasil na COP30.

A declaração alerta que a crise climática é resultado de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração e na dominação, que recai de forma desproporcional sobre os povos indígenas, especialmente mulheres, mulheres com deficiência e juventudes. As organizações afirmam que esses povos são guardiões da maior parte da biodiversidade do planeta e que proteger seus territórios é condição essencial para qualquer resposta climática séria. Para elas, a crise é, antes de tudo, uma crise de direitos, justiça e da própria vida, o que exige transformações urgentes nas estruturas que seguem subjugando povos originários.
Entre as vozes que marcaram o encontro, Sinéia do Vale, indígena Wapichana e copresidenta do Caucus Indígena da UNFCCC, destacou que ocupar espaços decisivos da COP30 é parte da defesa territorial. Ela afirmou que “os territórios indígenas são política de clima” ao repórter Henrique Pimenta, reforçando que mudanças climáticas já afetam a vida social, a saúde das mulheres e a medicina tradicional. Jozi Kaingang, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, enfatizou que a mobilização social precisa caminhar ao lado da presença política:
“Nós mulheres indígenas temos pensado estratégias e uma delas é reflorestar mentes para a cura da terra. A continuidade da vida depende de reverter esse processo de destruição imposto sobre a natureza”.
A declaração estabelece compromissos como o fortalecimento global entre mulheres indígenas para influenciar negociações internacionais, a defesa de territórios, culturas, línguas e conhecimentos ancestrais e a participação ativa na COP30 com propostas enraizadas nos territórios. Entre as reivindicações centrais estão a proteção plena de terras, territórios e águas indígenas; o acesso direto e apropriado ao financiamento climático; a integração dos sistemas de conhecimento indígena como base para inovação e resiliência; e a proteção de defensores e defensoras ambientais como prioridade da justiça climática.
Para Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi, sediar o encontro no Espaço Chico Mendes reforça o compromisso institucional com o diálogo profundo entre ciência e povos da floresta. Ela destacou que o Museu mantém tradição de parceria com lideranças indígenas e que os encontros preparatórios da COP30 já haviam reunido diferentes segmentos da sociedade para construir pontes e convergências.
Este primeiro encontro global reuniu mais de trezentas mulheres e jovens indígenas de sete regiões socioculturais do mundo. Organizado pelo Filac, Fimi e Anmiga, o evento tornou-se um marco histórico ao conectar diferentes povos em defesa da Mãe Terra e por um futuro climático justo e plural.
