Mulheres extrativistas exigem políticas públicas e autonomia no terceiro dia do Espaço Chico Mendes na COP30

O terceiro dia de programação do Espaço Chico Mendes na COP30, nesta segunda-feira (10), foi marcado pelo Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas, que reuniu lideranças de diversas regiões da Amazônia para reafirmar a luta por autonomia, território e políticas públicas voltadas para quem vive da floresta e com a floresta.

Mulheres foram palco de reflexão no Encontro. Foto: Alexandre Noronha

“Se metade de nós conhece seus direitos e a outra metade não conhece, então a luta ainda não avançou”, afirmou uma das participantes, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e diretora da Asmange, Associação Extrativista das Mulheres do Médio Juruá. Para ela, fortalecer a base é decisivo. “Nós só vamos conseguir vencer quando todas nós tivermos consciência dos nossos direitos e dos nossos deveres, para que ninguém possa pisar em cima da gente.”

As falas revelaram a força, mas também os desafios que ainda marcam a vida das mulheres ribeirinhas, extrativistas e agricultoras.

A liderança enfatizou que a violência contra as mulheres da floresta segue acontecendo enquanto muitas lutam por espaço e voz.

“Enquanto nós estamos aqui, muitas de nós estão lá sofrendo e morrendo neste exato momento”, disse. 

E reforçou o chamado por políticas públicas que possibilitem continuidade e legado. 

O Encontro foi a principal agenda do quarto dia do Espaço. Foto: Glauber Maia

“Chico Mendes deixou um legado para homens e mulheres. Que muitos e muitas Chico Mendes nasçam dessa luta.”

Outra fala central veio da Reserva Chico Mendes, no município de Brasiléia, onde uma jovem liderança lembrou que a presença dessas mulheres na COP30 é fruto de caminhos abertos por outras que lutaram antes. 

“A gente é fruto de vocês que estão nesse palco. Vocês que furaram as primeiras bolhas e foram pra luta”, afirmou.

Ela destacou que o maior desafio hoje é transformar formação e mobilização em autonomia concreta. 

“Para fortalecer as mulheres na Amazônia, é preciso garantir acesso a recursos, formação e tecnologia, valorizando os nossos saberes e os produtos da floresta.” 

“Nós só vamos conseguir vencer quando todas nós tivermos consciência dos nossos direitos e dos nossos deveres”. Foto: Glauber Maia

Segundo ela, sem infraestrutura e apoio contínuo, muitas iniciativas não conseguem se manter: 

“A mulher que cultiva na sua casa para comercializar o que faz, a mulher que fura sua semente, a gente ainda não tem apoio suficiente. Está começando, mas precisa ser fortalecido.”

A segurança das mulheres também foi um ponto crítico levantado.

“Para registrar uma violência, a gente tem que andar mais de 200 km. E quando chega, escuta que só deve voltar quando ele se aproximar de novo. Como é que a gente vai fazer isso?”, questionou. 

Entre as falas, formava-se um consenso: não há futuro da Amazônia sem o fortalecimento das mulheres que mantêm viva a sociobiodiversidade.

“As nossas vozes precisam ecoar pela floresta e pelo mundo inteiro a partir da COP30”, resumiu uma das lideranças ao final do encontro.

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