COP30 em Belém: tecnologia, ancestralidade e esperança
Belém, cidade de confluências amazônicas, tornou-se palco vibrante da COP30. Entre os aromas do mercado Ver-o-Peso e os sabores do reformado mercado de São Brás, a capital paraense respira encontros, histórias e reivindicações. A COP30 não é apenas um evento climático: é uma celebração da diversidade amazônica e um chamado à ação.
Nas mesas coletivas do São Brás, entre açaí, peixe frito e cerveja Tijuca, paraenses como Leila e Mauro compartilham memórias e risadas com desconhecidos. Sebastião, o “Sabá”, sapateiro amapaense de 92 anos, relembra sua trajetória pelo Brasil com leveza e sabedoria. Esses encontros espontâneos revelam o espírito acolhedor da cidade.
A travessia até a “blue zone” exige disposição — são 800 metros a pé ou de patinete, mas nem todos se arriscam. Já na “green zone”, a epopeia digital desafia os menos familiarizados com tecnologia, que contam com a ajuda de voluntários para se credenciar. Lá, entre brindes e água gratuita, um ciclista sul-africano que veio da Cidade do Cabo simboliza o alcance global do evento.
No dia 13, o “porongaço” reuniu representantes das populações tradicionais em uma caminhada de 2 km pela preservação da floresta e pelos 40 anos do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). A ministra Marina Silva, com uma “poronga” na cabeça, emocionou ao lembrar sua infância seringueira no Acre.
O Espaço Chico Mendes e Fundação Banco do Brasil, no Museu Goeldi, é o coração pulsante da COP30 das populações tradicionais. Com réplica da casa do líder ambiental, exposições, mesas de debates, feira de artesãos e barracas de produtores, o local mistura ancestralidade, história e inovação. Passado o fervor do evento, resta a esperança de que as políticas públicas alcancem quem veio a Belém com sonhos e esperança de um mundo melhor.

