Comitê em todos os lugares: Angela Mendes destaca força da COP do Povo e participação na Blue Zone
A presença do Comitê Chico Mendes ganhou força simultaneamente na Blue Zone e na COP do Povo, reforçando a estratégia de atuar dentro e fora do processo oficial da conferência. Angela Mendes, presidenta do Comitê, vê essa circulação em dois espaços como parte central da disputa de narrativas amazônicas na COP30, articulando incidência institucional e mobilização popular.

A primeira agenda do dia na Blue Zone reuniu parlamentares da Dinamarca e seus assessores, em 11 de novembro, das 9h às 10h30, na Casa da Cidade. O encontro ocorreu no formato de roda de conversa, priorizando troca de experiências sobre atuação de organizações nas agendas locais de energia, clima e meio ambiente.
Participaram seis organizações da sociedade civil: Laboratório da Cidade, Instituto Mapinguari, Tapajós de Fato, Mandi, Cojovem e Comitê COP30, além da delegação do parlamento dinamarquês presente na conferência. O diálogo abriu espaço para que diferentes coletivos amazônicos apresentassem seus territórios, seus desafios e formas de construir soluções comunitárias diante da crise climática, situando a Amazônia não apenas como pauta, mas como produtora de conhecimento.
No espaço da COP do Povo, Angela Mendes reforçou a importância de manter debates paralelos ao processo oficial, indicando que a força política e moral da COP emerge justamente das vozes historicamente silenciadas. Em suas palavras:
“A gente está aqui no Coop do Povo participando de profundos debates, mas a gente também está no nosso espaço de Comitê Xico Mendes e Fundação Banco do Brasil na Coop 30. E assim como esses dois espaços, a gente tem uma organização das populações tradicionais, da sociedade civil, se movimentando, se mobilizando aqui, paralelo à Coop oficial”.
Angela observa que os temas que estruturam a agenda amazônica não podem ser discutidos apenas nos espaços diplomáticos:
“O que nos mostra que, na verdade, as grandes soluções, grandes debates estão acontecendo aqui fora desse espaço, mas são debates de quem realmente entende sobre proteção, sobre soluções a partir dos territórios”.
Ela também enfatizou que a COP30 se torna uma oportunidade para que as demandas urgentes da Amazônia sejam reconhecidas como centrais, não periféricas:
“Essa COP é muito importante para chamar a atenção sobre os nossos problemas também. Então, em algum momento, esses debates vão se alinhar, a COP do povo, a COP dos povos, com a COP30 da ONU, vão juntas encontrar as soluções”.
Para Angela, esse alinhamento só é possível se a ONU reconhecer que decisões climáticas precisam ser compartilhadas com quem vive e defende a floresta diariamente. Como ela resumiu:
“Sozinha a ONU de um lado com seus líderes estão achando que vão resolver os problemas sem o povo, não, ou se faz tudo junto, ou então a gente não avança enquanto sociedade”.
O dia de agendas paralelas consolidou a atuação do Comitê Chico Mendes como ponte entre incidências internacionais e o movimento organizado dos povos da floresta, reforçando a tradição deixada por Chico Mendes: ocupar o institucional sem abandonar o território, fortalecer o território sem abandonar o institucional.
