Aliança dos Povos pelo Clima cobra financiamento direto para as populações tradicionais no Espaço Chico Mendes e Fundação BB
O Espaço Chico Mendes e Fundação BB na COP30 consolidou-se, nesta segunda (17), como um território de memória, presença política e construção coletiva das lutas socioambientais. A dimensão simbólica desse lugar aparece já na fala de Angélica Mendes, articuladora do Comitê e neta de Chico Mendes, que afirma:

“Eu acho que meu avô ele conseguiu furar uma bolha nos anos 80 e chamar a atenção do mundo pro que tava acontecendo que vai pra além da derrubada das florestas, mas de colocar os povos da floresta como esse pilar central pra conservação da Amazônia”.
Para ela, o legado do líder seringueiro segue estruturando o sentido político da programação. Angélica reforça:
“Durante a vida fez coisas que deram muitos resultados, como alianças da floresta e a demarcação dos territórios extrativistas. Ele deixou legados que trazem esse papel central pra conservação da Amazônia e deram a ele o título de Patrono do Meio Ambiente”.
É nesse ambiente em constante movimento que a Aliança dos Povos da Floresta realiza seu encontro no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi. A atividade chega em um momento marcado por intensa circulação de lideranças e debates estratégicos. Nos últimos dias, o espaço sediou diálogos sobre justiça climática, proteção territorial, memória de defensores da floresta e experiências comunitárias de enfrentamento à crise climática.
A agenda recente reuniu familiares de João Canuto, Virgílio Serrão Sacramento, Quintino Lira da Silva e Raimundo Ferreira Lima, o Gringo, além de defensoras como Claudelice Santos, Neidinha Suruí, Tatianny Cristina e Sarah Marques. As discussões também passaram por protocolos comunitários de proteção, economia da sociobiodiversidade e práticas de cuidado coletivo, sempre ancoradas nas experiências territoriais.
O encontro da Aliança dos Povos da Floresta aprofunda essa construção. A programação inclui os painéis “La Importancia del Reconocimiento a los Pueblos en Aislamiento y Contacto Inicial como estrategia ante el Cambio Climático Por su Derecho a Existir”, “Cooperativismo e Tecnologias Sociais como solução de fortalecimento das comunidades”, “A gente cobra — Povos da Floresta na luta por financiamento climático justo” e “Jovens e mulheres no protagonismo das ações climáticas”. Todas as discussões dialogam com o eixo central que orienta o espaço desde o início da COP30: a defesa da vida a partir de perspectivas comunitárias e do território.
A programação cultural também tem sido contínua. Foram exibidas as mostras “Meus santos saúdam teus santos”, “Ela Mora Bem Ali”, “Solitude” e a homenagem visual “Hélio Melo”. O palco recebeu apresentações de Ios da Selva, Jeff Moraes, Felipe Cordeiro, Grupo Carimbó Voa Ao Mundo, Zake 88, Raidoi, Alcxe Duchu, Flor de Mururé e Os Falsos do Carimbó, que retornam nesta noite como atração principal. Intervenções como Teatro Lambe-Lambe, Boi Terra Firme, Porongaço, performances da Ballroom Haus of Ca e o espetáculo Vozes da Floresta ampliaram a pluralidade das expressões amazônicas.
O espaço também abriga o Armazém da Sociobiodiversidade, que apresenta produtos sustentáveis, biojoias, alimentos nativos, artesanatos e cadeias produtivas comunitárias. Para Angélica, esse conjunto de elementos faz parte da proposta de imersão. Ela afirma:
“A gente fez muita coisa pra esse espaço. Além das discussões, a gente tá com várias exposições que contam a história do meu avô, mas também de mulheres e pessoas que foram muito importantes pra essa luta”.
Entre as estruturas mais visitadas está a réplica da casa de Chico Mendes. Angélica explica:
“A gente tem a réplica da casa do meu avô, a casinha de seringueiro, as estradas de seringa que dão pra um seringueiro contando como é feita essa coleta”.
Sobre a experiência sensorial criada para o público, ela acrescenta:
“A gente tem uma experiência imersiva no domo, que conta a história do meu avô de um jeito que só estando lá dentro pra entender”.
A programação diária é dinâmica. O Espaço Chico Mendes e Fundação BB na COP30 é uma realização do Comitê Chico Mendes, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas e da Fundação Banco do Brasil, com apoio do Memorial Chico Mendes, do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O espaço segue ativo até 21 de novembro, último dia da COP30, e integra o ciclo de mobilização que segue para o Acre com a Semana Chico Mendes.
