Catadores defendem economia circular na justiça climática na COP30: “A gente que movimenta o país”

O painel Economia Circular com Protagonismo dos Catadores de Materiais Recicláveis na Transição Climática Justa marcou a manhã do décimo dia de Espaço Chico Mendes e Fundação BB na COP30, neste domingo (16), com um recado direto ao mundo: não existe economia circular real sem a centralidade dos catadores. Foi nesse clima de afirmação política que catadores e catadoras lembraram que a economia circular tem raízes sociais profundas, sustentadas por décadas de organização popular. Luiz Gonzaga, representante da Fundação Banco do Brasil, criticou a distância entre teoria e realidade.

Painel juntou diferentes setores para falar sobre a reciclagem como componente da transição climática. Foto: Alexandre Noronha

“Quando se fala de economia circular, a definição teórica exclui os catadores. Isso não pode ser feito porque os catadores são o grande elo que promove a reciclagem dos materiais que estão poluindo o meio-ambiente e que contribuem para as mudanças climáticas”, afirmou.

Segundo ele, a Fundação Banco do Brasil apoia a categoria há mais de vinte anos.

“A Fundação Banco do Brasil apoia a organização dos catadores desde 2003, quando aconteceu a marcha dos catadores em Brasília. Desde então existe o programa Cata Forte, que já está na quarta edição. Ele promove a organização das cooperativas com apoio à logística, à comercialização, à coleta e ao avanço na verticalização dos produtos”, explicou.

Para Gonzaga, a presença da categoria na COP30 não é apenas pertinente, é estratégica.

“As mudanças climáticas também partem do princípio que não se pode sujar o meio-ambiente. Então tem tudo a ver com a COP30.”

Para Claudette Costa, catadora há 36 anos e presidenta da Unicopas, a centralidade da categoria é evidente.

“A gente tem tudo a ver. A gente é que movimenta o país, o mundo, e a gente está aqui para lutar pelo clima e pelo meio-ambiente”, disse.

Ela destacou que a discussão climática precisa incluir quem vive da reciclagem.

“Nós catadores, por ser protagonista desse setor, desse sistema, a gente tem tudo a ver não só com a inclusão dos catadores dentro dessa construção das políticas públicas, mas também por muitas outras pautas que envolvem o planeta Terra.”

Claudette lembrou que a reciclagem é, antes de tudo, um trabalho que garante sobrevivência e dignidade.

“A reciclagem gera trabalho e renda. Se não fosse esse trabalho, muitos de nós não teria como sobreviver. A gente vive unicamente da reciclagem que exerce no dia a dia”, afirmou.

Ao falar da própria trajetória, ela resumiu uma vida inteira de resistência.

“Impactou em eu me reconhecer enquanto uma agente ambiental, uma profissional da reciclagem, e poder fazer parte dessa construção de geração de trabalho e renda com a organização da nossa categoria.”

O painel reforçou que a economia circular precisa ser compreendida a partir das mãos que a constroem. Enquanto a COP30 anuncia ao mundo caminhos para a transição ecológica, os catadores lembram que essa transição já está em curso nas ruas, nas cooperativas, nos lixões fechados pela luta social e no trabalho diário de quem transforma resíduos em vida.

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