Porongaço ilumina as ruas de Belém e reafirma a força do movimento extrativista na COP30
Belém viveu na noite desta quinta-feira (13) um dos momentos mais simbólicos da participação amazônica na COP30. O Porongaço, mobilização organizada pelo Conselho Nacional dos Extrativistas e por lideranças de diferentes regiões da Amazônia, transformou as ruas próximas da Paris da Amazônia, na nossa cidade das luzes, memória e reivindicação política.

O ato reuniu lideranças históricas, jovens extrativistas, povos indígenas, quilombolas e organizações da sociedade civil em um percurso que ganhou densidade política na capital paraense. Para Wendel Araújo, cofundador do Coletivo Varadouro, participar da caminhada em plena COP30 significa ocupar o debate climático com quem vive suas consequências. Ele afirmou:
“Estar aqui na COP, nas ruas de Belém, organizando o movimento extrativista juntamente com nossas coordenações regionais, é um momento de muita alegria. Mostrar que é possível e mostrar a força da juventude extrativista. Trazer nossas pautas de luta para dentro desse espaço é mostrar que mantemos a luz da poronga acesa, é mostrar que o legado de Chico Mendes vive em nós e nos líderes que tombaram em prol dessa luta”.
A caminhada, segundo Wendel, é também um gesto de incidência sobre decisões que moldam o futuro dos territórios.
“Esperamos que, além de iluminar as nossas mentes, ilumine as mentes de quem toma as decisões que definem o futuro das nossas reservas extrativistas. Queremos uma transição justa, queremos reparações de benefícios, queremos que os financiamentos climáticos contemplem quem cuida e protege essa floresta. A morte da floresta é o fim das nossas vidas”, afirmou o jovem.
A presidenta do Comitê, Angela Mendes, destacou que o Porongaço envia uma mensagem direta aos negociadores da Blue Zone, onde chefes de Estado e ministros discutem acordos climáticos sem a presença efetiva de povos tradicionais.
“Eu espero que a poronga ilumine a cabeça dos líderes de nações que estão ali na COP decidindo sobre o futuro da gente, sem a gente. Que as decisões deles sejam guiadas pela luz da poronga, pelo pensamento de Chico Mendes e de tantos que já tombaram nessa luta pelo território”, disse Angela.
Ao comentar a participação massiva de jovens na caminhada, ela completou:
“Eu tenho a agradecer por estarem aqui compartilhando esse momento. Essa soma nos dá mais impulso para seguir na luta. É esse espírito de coletividade, de estar junto, de somar forças, energias e vontade de fazer”.
A presença de Dona Nice, histórica liderança extrativista do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, reforçou o peso simbólico do ato. Ela lembrou que a poronga é mais do que um objeto de iluminação; é identidade política.
“A poronga é o nosso principal selo do CNS. Ela ilumina para o mundo inteiro. É o sinal da Amazônia, o sinal da floresta, o sinal de todos os biomas brasileiros”, afirmou.
Ao comentar a expressiva participação juvenil, ela situou o momento dentro de um processo mais amplo de mobilização:
“Tivemos o evento mundial das mulheres extrativistas no dia 10 e muitas mesas com jovens. Aqui estamos quase com 50% de juventude. É isso que é importante, organizar as mulheres, a juventude e toda a população da Amazônia. É isso que estamos fazendo aqui”.
Com mais de quarenta anos de caminhada, Dona Nice deixou uma mensagem firme aos novos integrantes do movimento:
“Uma das propostas que vamos levar daqui é demarcar todos os territórios quilombolas e fortalecer os territórios extrativistas e indígenas. Porque sem terra, sem água, sem floresta e sem gente não pode existir um mundo”.
Confira a galeria de fotos do Porongaço feitas pelo fotógrafo Glauber Maia:











































